Recentemente, a usuária @elisaemanuel_, da rede social Threads, publicou uma captura de tela de seu celular exibindo o nome da operadora “Vivo Starlink”. O registro chamou atenção por ser compatível com rumores recentes de que a Vivo estaria trabalhando para lançar, no Brasil, uma solução que permite a conexão direta entre celulares e satélites da Starlink.
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A partir dessa publicação, começamos a investigar o ocorrido e encontramos indícios ainda mais interessantes, realizando buscas manuais em celulares modificados nas frequências correspondentes e também testes em áreas rurais, a fim de evitar que a presença de redes terrestres interferisse nos resultados.
Rede já pode ser detectada
Segundo os testes realizados, a rede Direct-to-Cell (D2C) da Vivo em parceria com a Starlink estaria operando, neste momento, na faixa de 2600 MHz, correspondente à Banda 7 do LTE, utilizando uma largura de banda de 5 MHz e o EARFCN 3425, o que bate exatamente com os vazamentos recentes. A rede opera sob o PLMN 724 35, mesmo da antiga Telebahia.

Durante testes de campo, o usuário do Telegram, @LnXroot, conseguiu localizar a rede e iniciar uma tentativa de conexão. No entanto, o procedimento de attach, responsável pelo registro do aparelho na rede, não foi concluído.

Isso significa que a rede foi detectada, mas não autorizou o registro do dispositivo. O comportamento pode estar relacionado à intensidade insuficiente do sinal, a restrições de autenticação ou simplesmente ao fato de a infraestrutura ainda estar em fase de testes.

O usuário também relatou outro comportamento esperado: a disponibilidade da rede é intermitente.
Por que a conexão aparece e desaparece?
A conexão direta com celulares depende da passagem dos satélites compatíveis com a tecnologia Direct-to-Cell da Starlink. Como a constelação destinada a esse serviço ainda está em expansão, determinadas regiões podem permanecer temporariamente sem cobertura até que outro satélite compatível passe pela área.
Com o lançamento de novos satélites D2C, a tendência é que essas janelas sem cobertura sejam progressivamente reduzidas, permitindo uma disponibilidade mais contínua do serviço.
É possível acompanhar os satélites
O aplicativo Redes Móveis Fixas (RMF) oferece filtros que permitem visualizar os satélites da Starlink sobrevoando o território brasileiro. A ferramenta pode ajudar usuários interessados em testes a identificar os melhores momentos para procurar pela rede.
Os indícios encontrados até agora reforçam a possibilidade de que os testes da parceria entre Vivo e Starlink já estejam ocorrendo em território brasileiro. Por enquanto, porém, a detecção da rede não significa que o serviço esteja oficialmente disponível ao público.
Quando vai estar disponível?
Infelizmente, a conexão ainda parece estar restrita a testes em campo. É possível que, nesta etapa, a Vivo esteja liberando o acesso apenas para engenheiros, técnicos e dispositivos autorizados envolvidos no processo de validação da rede.
Ao longo dos próximos meses, deverão ser realizados testes de cobertura, desempenho, interferência e convivência com as redes terrestres, além das demais avaliações técnicas e regulatórias necessárias antes de uma eventual disponibilização comercial do serviço.
Quais celulares compatíveis?
Como observado em testes realizados no Brasil e em implementações semelhantes ao redor do mundo, a Starlink Direct-to-Cell utiliza 4G LTE, tecnologia já suportada pela grande maioria dos smartphones atuais.
Em princípio, não é necessário um modem ou uma antena dedicada para que o aparelho consiga se comunicar com a rede. No entanto, operadoras e fabricantes podem implementar otimizações específicas de software e firmware para melhorar a experiência de conexão via satélite.

Essas adaptações podem incluir ajustes no gerenciamento da rede, tempo de resposta, busca por células, consumo de energia e manutenção da conexão, já que uma conexão direta com um satélite apresenta características bastante diferentes das encontradas em uma estação rádio-base terrestre convencional.
A Apple garante o funcionamento em todos os iPhones a partir do iPhone 14. Já a Samsung não possui uma lista oficial tão clara, mas a tecnologia aparenta ser compatível com modelos lançados a partir da linha Galaxy S21. Ainda assim, como o recurso pode depender de atualizações de software, é possível que a Vivo não ofereça suporte a alguns aparelhos mais antigos ou já descontinuados.
O WhatsApp vai funcionar?
A princípio, a conexão Starlink D2C funciona como uma rede de dados convencional, mas com latência e, possivelmente, taxas de retransmissão superiores às observadas no LTE de estações terrestres. Por conta dessas particularidades, alguns aplicativos podem precisar de otimizações para funcionar adequadamente nesse ambiente.
Nos Estados Unidos, aplicativos como WhatsApp, Google Maps e X (antigo Twitter) já foram adaptados para funcionar na rede da T-Mobile via Starlink.
Dada a relevância de aplicativos de mensagens no Brasil, especialmente o WhatsApp, seria natural esperar que a Vivo também trabalhasse para garantir compatibilidade com serviços de terceiros à medida que a solução fosse disponibilizada comercialmente.
Um rápido vídeo
Tive a oportunidade visualizar a rede em campo, em um local sem nenhuma rede de celular próxima que pudesse interferir no teste. Ainda assim, Banda 7 aparece, o que seria impossível em situações normais.
