VIVO inicia testes da conexão via satélite no Brasil [Atualizado]

• Atualização (17/08/2026): adicionamos uma captura do sistema interno de atendimento da operadora, com o interruptor de ativação do “Vivo Satélite”.

Recentemente, a usuária @elisaemanuel_, da rede social Threads, publicou uma captura de tela de seu celular exibindo o nome da operadora “Vivo Starlink”. O registro chamou atenção por ser compatível com rumores recentes de que a Vivo estaria trabalhando para lançar, no Brasil, uma solução que permite a conexão direta entre celulares e satélites da Starlink.

Ver no Threads

A partir dessa publicação, começamos a investigar o ocorrido e encontramos indícios ainda mais interessantes, realizando buscas manuais em celulares modificados nas frequências correspondentes e também testes em áreas rurais, a fim de evitar que a presença de redes terrestres interferisse nos resultados.

Rede já pode ser detectada

Segundo os testes realizados, a rede Direct-to-Cell (D2C) da Vivo em parceria com a Starlink estaria operando, neste momento, na faixa de 2600 MHz, correspondente à Banda 7 do LTE, utilizando uma largura de banda de 5 MHz e o EARFCN 3425, o que bate exatamente com os vazamentos recentes. A rede opera sob o PLMN 724 35, mesmo da antiga Telebahia.

Aplicativo Network Signal Guru já captando a frequência correspondente. Teofilândia – BA. (Imagem: PontoBYTE/@LnXroot).

Durante testes de campo, o usuário do Telegram, @LnXroot, conseguiu localizar a rede e iniciar uma tentativa de conexão. No entanto, o procedimento de attach, responsável pelo registro do aparelho na rede, não foi concluído.

Tentativa de conexão à rede, ainda sem sucesso. Maceió – AL. (Imagem: PontoBYTE/@amorimlucas).

Isso significa que a rede foi detectada, mas não autorizou o registro do dispositivo. O comportamento pode estar relacionado à intensidade insuficiente do sinal, a restrições de autenticação ou simplesmente ao fato de a infraestrutura ainda estar em fase de testes.

Rede já aparecendo no iPhone, entitulada Vivo, ao invés de VIVO. Tanque Novo – BA. Também sem conexão. (Imagem: PontoBYTE/Vitor Gomes).

O usuário também relatou outro comportamento esperado: a disponibilidade da rede é intermitente.

Por que a conexão aparece e desaparece?

A conexão direta com celulares depende da passagem dos satélites compatíveis com a tecnologia Direct-to-Cell da Starlink. Como a constelação destinada a esse serviço ainda está em expansão, determinadas regiões podem permanecer temporariamente sem cobertura até que outro satélite compatível passe pela área.

Com o lançamento de novos satélites D2C, a tendência é que essas janelas sem cobertura sejam progressivamente reduzidas, permitindo uma disponibilidade mais contínua do serviço.

É possível acompanhar os satélites

O aplicativo Redes Móveis Fixas (RMF) oferece filtros que permitem visualizar os satélites da Starlink sobrevoando o território brasileiro. A ferramenta pode ajudar usuários interessados em testes a identificar os melhores momentos para procurar pela rede.

Site ou app Redes Móveis Fixas permite acompanhar os satélites Starlink D2C em tempo real. (Imagem: PontoBYTE/Vitor Gomes).

Quando vai estar disponível?

Ainda não há uma data definida para a disponibilização comercial. Conforme o Ato nº 9.095, de 9 de julho de 2026, da Anatel, a Telefônica Brasil (VIVO), recebeu autorização para realizar testes em todo o território nacional, entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026.

Nesta etapa, a conexão deverá permanecer restrita aos profissionais, equipamentos e terminais autorizados envolvidos na validação da tecnologia. O próprio ato limita os testes a 50 terminais e determina expressamente que a autorização temporária não dá à empresa o direito de explorar comercialmente o serviço.

Interruptor de ativação/desativação da funcionalidade “Vivo Satélite” disponível no sistema interno de atendentes (Imagem: PontoBYTE/Vando Araujo).

Durante o período autorizado, deverão ser avaliados aspectos como cobertura, desempenho e possíveis interferências nas redes já existentes. Ao término dos testes, a Telefônica Brasil deverá encaminhar à Anatel os relatórios dos experimentos realizados. Somente depois dessas avaliações técnicas e das demais etapas regulatórias será possível avançar para uma eventual oferta comercial.

Quais celulares compatíveis?

Como observado em testes realizados no Brasil e em implementações semelhantes ao redor do mundo, a Starlink Direct-to-Cell utiliza 4G LTE, tecnologia já suportada pela grande maioria dos smartphones atuais.

Em princípio, não é necessário um modem ou uma antena dedicada para que o aparelho consiga se comunicar com a rede. No entanto, operadoras e fabricantes podem implementar otimizações específicas de software e firmware para melhorar a experiência de conexão via satélite.

Aviso de celular conectado à rede não-terrestre. (Imagem: YouTube/PimeTechnology).

Essas adaptações podem incluir ajustes no gerenciamento da rede, tempo de resposta, busca por células, consumo de energia e manutenção da conexão, já que uma conexão direta com um satélite apresenta características bastante diferentes das encontradas em uma estação rádio-base terrestre convencional.

A Apple garante o funcionamento em todos os iPhones a partir do iPhone 14. Já a Samsung não possui uma lista oficial tão clara, mas a tecnologia aparenta ser compatível com modelos lançados a partir da linha Galaxy S21. Ainda assim, como o recurso pode depender de atualizações de software, é possível que a Vivo não ofereça suporte a alguns aparelhos mais antigos ou já descontinuados.

O WhatsApp vai funcionar?

A princípio, a conexão Starlink D2C funciona como uma rede de dados convencional, mas com latência e, possivelmente, taxas de retransmissão superiores às observadas no LTE de estações terrestres. Por conta dessas particularidades, alguns aplicativos podem precisar de otimizações para funcionar adequadamente nesse ambiente.

Nos Estados Unidos, aplicativos como WhatsApp, Google Maps e X (antigo Twitter) já foram adaptados para funcionar na rede da T-Mobile via Starlink.

Dada a relevância de aplicativos de mensagens no Brasil, especialmente o WhatsApp, seria natural esperar que a Vivo também trabalhasse para garantir compatibilidade com serviços de terceiros à medida que a solução fosse disponibilizada comercialmente.

Um rápido vídeo

Tive a oportunidade visualizar a rede em campo, em um local sem nenhuma rede de celular próxima que pudesse interferir no teste. Ainda assim, Banda 7 aparece, o que seria impossível em situações normais.

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Vítor Gomes Neves Oliveira, também conhecido como vctgomes (vctgomes.com), é Engenheiro Eletricista com ênfase em eletrotécnica e Sistemas Elétricos de Potência, vivendo em Tanque Novo, no interior da Bahia. Atua em O&M, obras de infraestrutura, linhas de transmissão e redes de média tensão. Passou por parques da Enera e da Auren e hoje integra as obras do Complexo Eólico Tanque Novo, na frente de gestão de campo, documentação técnica (RDO, PET, APR) e segurança. É certificado em Redes Móveis 5G pela UFPB. Fora da engenharia de potência, administra redes, servidores e a própria casa inteligente. Foi daí que nasceu o PontoBYTE, onde publica análises de produtos e tecnologia, RedesMoveisFixas.com e MalhaBrasil.