Recentemente, o nosso site de monitoramento de novidades do iOS, o Redes Móveis Fixas, detectou uma novidade curiosa nas configurações de operadora do iPhone, o famoso Carrier Bundle: a Vivo começou a preparar a exibição do ícone 5G+, já presente na versão de testes do iOS 27.

A descoberta rapidamente ganhou repercussão e também levantou uma dúvida: afinal, o que muda quando o iPhone mostra 5G+?
A verdade por trás do ícone 5G+
Para entender o 5G+, primeiro precisamos voltar um pouco no tempo. A 3GPP, organização responsável pela padronização de tecnologias como LTE e 5G NR, publica periodicamente novas releases que aprimoram o funcionamento das redes e adicionam novos recursos.
No LTE, por exemplo, o Release 10 introduziu o LTE Advanced e, com ele, a agregação de portadoras (Carrier Aggregation). A tecnologia permite que o celular utilize diferentes portadoras simultaneamente, combinando, por exemplo, espectro nas bandas 7 (frequência de 2600MHz) e 28 (700MHz) para aumentar a largura de banda disponível e, consequentemente, a capacidade e a velocidade da conexão. No Brasil, essa evolução acabou ficando conhecida comercialmente como 4G+.

O LTE continuou evoluindo nos releases seguintes, recebendo recursos como modulação 256 QAM, configurações mais avançadas de MIMO e agregação de um número maior de portadoras. A partir do Release 13, essa evolução passou a ser chamada de LTE Advanced Pro e foi comercializada por algumas operadoras brasileiras como 4.5G. Em resumo, o MIMO permite utilizar múltiplas antenas e fluxos espaciais ao mesmo tempo, enquanto o 256-QAM aumenta a quantidade de dados transportada em cada símbolo. Juntos, esses recursos ajudaram a levar o LTE muito além das capacidades inicialmente disponíveis no 4G.
E onde entra o 5G+?
No 5G, a situação é um pouco diferente. O 5G NR já nasceu suportando tecnologias como MIMO avançado, 256-QAM e agregação de portadoras, enquanto o Release 18 marcou posteriormente o início do chamado 5G-Advanced. Por isso, seria fácil imaginar que o ícone 5G+ da Vivo representa diretamente essa nova evolução do padrão, mas não é isso que encontramos.
Segundo as configurações analisadas pelo Redes Móveis Fixas, o ícone 5G+ da Vivo é exibido quando o iPhone está conectado ao 5G Standalone (SA) e utilizando pelo menos 115 MHz de largura de banda agregada. Na prática, não basta estar conectado ao 5G SA: o aparelho também precisa utilizar agregação de portadoras dentro do próprio 5G NR.
No Brasil, uma das combinações capazes de atingir esse requisito envolve as bandas n78, na faixa de 3,5 GHz, e n40, em 2,3 GHz. Com a agregação das duas, o aparelho pode ultrapassar os 115 MHz definidos pela Vivo para liberar o novo indicador.

Portanto, o 5G+ não representa uma nova geração de rede e também não significa necessariamente 5G-Advanced. No caso da Vivo, o símbolo funciona principalmente como uma indicação de que o aparelho está conectado a uma configuração mais robusta da rede 5G, utilizando 5G Standalone e uma quantidade elevada de espectro simultaneamente.
O 5G+ pode significar outra coisa em outra operadora
O detalhe mais importante é que o significado do ícone 5G+ não é padronizado pela 3GPP. A decisão de exibi-lo e os critérios utilizados ficam a cargo da própria operadora, portanto outra empresa pode adotar exatamente o mesmo símbolo no futuro e utilizá-lo para representar condições diferentes.
No caso da Vivo, ao menos nas configurações encontradas pelo RMF no iOS 27, os critérios são claros: 5G Standalone e pelo menos 115 MHz de largura de banda agregada.
E quanto à TIM e Claro?
Até o momento, o Redes Móveis Fixas não encontrou configurações equivalentes para TIM e Claro no iOS. Isso não significa que as redes das duas operadoras sejam necessariamente inferiores quando o aparelho continuar mostrando apenas o tradicional ícone 5G.
TIM e Claro também utilizam recursos como agregação de portadoras, MIMO e grandes blocos de espectro em suas redes 5G. A diferença, pelo menos por enquanto, é que a Vivo decidiu utilizar um indicador adicional no iPhone para destacar determinadas condições da conexão.
No fim das contas, o símbolo exibido na barra de status é apenas uma indicação visual. A experiência real continua dependendo de fatores como espectro disponível, agregação de portadoras, qualidade do sinal, capacidade da rede e quantidade de usuários conectados.
